quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Contrato de Homem que diz ter 50% do site foi falsificado, alega Facebook

Os advogados do Facebook alegaram que o contrato apresentado por um homem que reivindica 50% do capital da empresa é uma versão falsificada de outro documento. A rede social apresentou novas provas em um processo iniciado por Paul Ceglia, que diz ser dono de grande parte da empresa, baseado em uma antiga relação profissional com o fundador da rede social, Mark Zuckerberg.
Em queixa feita em 2010 e alterada em abril, Ceglia argumenta que ele tem direito “a 50% do valor total dos negócios de Zuckerberg” no Facebook. Segundo Ceglia, em 28 de abril de 2003, quase um ano antes do lançamento do Facebook, Zuckerberg assinou um contrato em que ele seria remunerado em US$ 1 mil em troca do desenvolvimento de um site na internet, cujo nome seria “The face book” ou “The page book”.
No entanto, os advogados de Zuckerberg indicaram, em um documento entregue ao tribunal de Nova York na segunda-feira (15), que o contrato apresentado por Ceglia é uma versão falsificada de outro contrato. O verdadeiro documento refere-se a trabalhos prestados por Zuckerberg para a conta de Ceglia, em 2003, de um site chamado “StreetFax”, e não faz menção alguma ao Facebook.
“A análise jurídica ordenada pelo tribunal revelou que é autêntico o contrato entre Mark Zuckerberg e a StreetFax e que Ceglia tentou falsificá-lo”, indica o documento entregue pelo Facebook. “Esta prova é tangível e confirma o que os acusados dizem desde o início: o chamado contrato ligado à queixa é inteiramente falso”, acrescenta o texto. “O contrato original, que menciona apenas a StreetFax e não tem nada a ver com Facebook, foi encontrado nos arquivos eletrônicos de 2004 no computador de Ceglia”.
A rede social disse que iria pedir ao tribunal que abandonasse o caso baseado “em provas esmagadoras de fraude”. Os advogados do Facebook negam desde o início as acusações de Ceglia, que já qualificaram como “trapaça inverídica”.

Crianças ganham fuzís e granadas em concurso de declamação do Alcorão

Uma estação de rádio na Somália controlada pelo grupo extremista islâmico Al Shabab premiou com armas crianças que participavam de um concurso de declamação do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. A competição da rádio Andulus também avaliou conhecimentos gerais.
O grupo que venceu a competição recebeu um fuzil AK-47 e o equivalente a US$ 700 (cerca de R$ 1.240). O segundo colocado recebeu um AK-47 e US$ 500 e terceiro, duas granadas de mão e US$ 400.
O grupo Al Shabab, que teria ligações com a Al Qaeda, controla grande parte do sul e do centro da Somália. Recentemente o grupo saiu da capital Mogadiscío, onde o fraco governo apoiado pela ONU está no comando.
Quatro crianças, de idades entre 10 e 17 anos, foram escolhidas para representar cada distrito na competição realizada durante o Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, que terminou em agosto.
“Os jovens devem usar uma mão para educação e com a outra segurar uma arma para defender o Islã”, disse o comandante do Al Shabab Mukhtar Robow aos vencedores da competição em Elasha, cerca de 20 km da capital.
Os vencedores também receberam livros religiosos. Mohamed Moalimu, repórter da BBC em Mogadíscio, disse que o concurso vem ocorrendo há três anos. Em edições anteriores, a primeira colocação era premiada com um lançador de granadas.
A Somália atravessa uma severa seca e muitas áreas controladas pelo grupo sofrem com fome.

Ateus nos EUA rasgam páginas da Bíblia Sagrada

Nos EUA aconteceu no sábado (17/09) uma manifestação de oposição ao cristianismo, onde um grupo de ateus rasgaram cópias de passagens da Bíblia as quais eles consideram imoral e ilegal.
 A manifestação foi liderada por um grupo chamado Os céticos humanista Backyard na base do pier de Huntington Beach no sul da Califórnia. Dentre as passagens bíblicas que foram rasgadas e que o grupo se opem estão Mateus 5:29 e Tiago 5:14-15, que afirma:
 Mateus 5:29 -”E logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada do seu flagelo” (R.A) e Tiago 5 – 14: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. – 15: E a oração da fé sslvará o enfermo. e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.”(R.A).
 Bruce Gleason, que lidera o grupo, disse anterior que ele estava “fazendo isto para fazer deste um mundo melhor”, porque ele sentiu que “a razão, ciência e pensamento crítico vai fazer muito mais do que oração e fé.”
 Ele insistiu que eles não estavam tentando ofender as pessoas. Apenas folhas de papel impressas das passagens separadas da Bíblia para ser rasgado.Mas perto do final do evento de sábado, o ateu declarado arrancadas algumas páginas da própria Bíblia.
 Um dos cristãos que estavam entre os quase 100 manifestantes disse que “Eles deturpam a visão cristã e a forma que a Bíblia é realmente apresentada”.

SENADOR MAGNO MALTA DIZ QUE OS GAYS É QUEM SÃO PRECONCEITUOSOS


O senador e pastor evangélico Magno Malta em entrevista a site pró-gay fala a respeito do novo ‘Projeto de Lei’ que tem como nome provisório ‘Alexandre Ivo’ (substituto da PLC 122) e o porquê o apóia, destacando que ao seu ponto de vista não há homofobia no Brasil e sim preconceito seja em quais forem os níveis.
O Brasil tem vivido nos últimos dias tempos de grandes embates entre evangélicos e comunidades gays, estes estando presentes principalmente no meio político. A causa deste grande embrolho se deu principalmente após a decisão do Supremo que garantiu o direito à união homoafetiva.
Um dos parlamentares evangélicos que subiu diversas vezes a tribuna do senado para discursar contra a PLC 122 foi o Senador Magno Malta, no entanto hoje, o mesmo apóia o novo texto para criminalizar a homofobia: a Lei Alexandre Ivo.
A nova proposta consiste em um texto que não criminalizara apenas a o ato homofóbico, mas irá abranger todos os tipos de atitudes discriminatórias – raciais, sociais, entre outras. Esta foi escrita por Crivella e Demóstenes, no entanto com a relatoria de Marta Suplicy e opinião de Toni Reis (da ABGLT) e após o dia no dia 13 de julho (2011), a senadora Marta se reuniu com outros líderes da Frente LGBT já com o novo texto da lei em mãos, para discuti-lo. Da reunião, os deputados Jean Wyllys e Manoela D’Avilla sairam com a incumbência de acrescentar sugestões e buscar apoio de outros deputados.
Esta concordância das duas partes seria a primeira desde que o primeiro projeto de união gay foi apresentado na Câmara – em 1995 – e tem surpreendido ao Congresso.
Magno, saiu em defesa do novo texto e afirma que “estão confundindo a opinião pública. Homofobia é violência física, assassinato, crueldade, barbaridades, já o texto apresentado pela senadora Marta Suplicy, também com novo nome, agora, batizado de Lei Alexandre Ivo, é uma tentativa de enfrentar a intolerância, o preconceito e a discriminação no mais amplo sentido e não apenas em favor dos homossexuais, mas também na questão racial, estética, social, religiosa e contra o machismo que humilha as mulheres”.
Confira a entrevista de Magno Malta ao site Mix Brasil:
Como tem sido sua atuação diante das negociações em torno da nova lei anti-homofobia? Há chances reais desta lei ser aprovada?
Há mais de 8 anos venho mostrando que devemos respeitar o próximo, sem qualquer tipo de preconceito ou intolerância. Mas não concordo com o termo homofobia, principalmente no caso do PL 122. O Brasil não é homofóbico. O brasileiro convive sem guerra ou violência física com as diversidades de raça, credo, ideologia política e até mesmo social. Homofobia é agressão, violência truculência, crueldade. Existem os casos isolados, como aconteceu com os jovens de brasileira que colocaram fogo em um índio. Ou um grupo de delinqüentes que espancou um jovem até a morte. Mas são exceções e não regra. Mas o preconceito e a intolerância estão enraizados profundamente na sociedade brasileira. De forma sutil, o pobre, o homossexual, o negro, índio, evangélico, judeu, anão, obeso, idosos e até mulheres são vítimas de discriminação. Esta é minha luta, pela igualdade social. Por isso acho muito complicado aprovar lei anti-homofobia, mas quero lutar para aprovar um texto que pune qualquer tipo de preconceito e intolerância.
O Judiciário tem trabalho de maneira pró-ativa, já tendo aprovado a união estável entre casais do mesmo sexo e até mesmo a conversão destas uniões em casamento. Qual a sua opinião sobre o tema? O senhor é a favor da união estável? E do casamento civil?
O Judiciário, principalmente o Supremo está legislando, querendo ocupar o lugar do Parlamento. Mas união de casais do mesmo sexo é aceitável. Só não pode receber o mesmo tratamento que a constituição garante para a família. O status de família clausula pétrea da constituição brasileira, não pode ser alterada e deve ser privilégios de casal homem/mulher, principalmente na educação de filhos. Homem com homem ou mulher com mulher é opção de cada um. Mas família é uma instituição acima de qualquer lei dos homens. É uma criação de Deus e assim deve ser respeitada. Crianças precisam de referência de mãe e pai.
Por conta da pressão da bancada evangélica, a votação do PLC 122 foi adiada diversas vezes. O senhor já se posicionou de maneira contrária ao projeto – chegando a ameaçar renunciar caso ele fosse aprovado – mas agora tem se mostrado a favor da nova lei anti-homofobia, que pode se chamar Lei Alexandre Ivo. O que mudou no seu posicionamento? Qual a diferença entre uma e outra?
Não é mais a bancada evangélica somente, mas a Frente Parlamentar Mista Permanente em Defesa da Família Brasileira que tem assinatura da grande maioria dos parlamentares. Conversei com a relatora Marta Suplicy em meu gabinete. Ela sabe que com este estigma anti-homofobia não passa. Defendo um texto mais abrangente contra todos os tipos de preconceito, intolerância e discriminação. Quem discriminar um homossexual deve ser punido com rigor da lei. Quem for intolerante com um idoso deve responder na justiça e quem tratar qualquer cidadão com preconceito também não pode ficar impune. Veja só o preconceito social. Até hoje, a elite brasileira não aceita o pobre ocupando lugares imp ortantes. A própria imprensa, principalmente os donos, não abre espaços para os inclusos, sem teto, sem saúde e sem emprego. O pobre não tem voz na sociedade, este é o maior preconceito que vivemos, mas sem voz ninguém escuta o drama das crianças que nascem em casebres sem banheiro e sem a mínima condição de saúde. Nos grotões do Brasil as crianças ainda são escravizadas, exploradas e abusadas, mas não tem voz na grande imprensa. O texto ainda não mudou, mas precisa ser alterado para que todos possam ser beneficiados. A PL 122 deve voltar pra Câmara Federal, local de origem, para iniciar um grande debate. O Brasil tem que participar, pois até agora, só os homossexuais e a classe política debateram esta mudança de costume que vai refletir em toda sociedade.
A Constituição Federal afirma que o Estado laico. O que o senhor acha dessa mistura entre Estado e religião?
Religião é religião. Política é política. Família é família. Não podemos misturar. Mas princípios e liberdade de expressão são para todos. Todos independentes de religião, ideologia e raça têm direito a liberdade de expressão. O homossexual pode expressar o seu livre arbítrio e o evangélico também. A classe política, seja qual for a ideologia, deve se expressar com total liberdade. O contexto é um só, porém cada coisa em seu lugar. O País é laico, mas o brasileiro tem sua religião e também precisa ser respeitado.
Há algumas semanas, a deputada Myrian Rios relacionou homossexualidade com pedofilia. No passado, o senhor já chegou a comparar a homossexualidade com necrofilia, zoofilia, entre outras barbaridades. Como atual presidente da CPI da Pedofilia no Senado, qual a sua posição sobre o tema?
Eu nunca relacionei homossexualidade com pedofilia e muito mesmo com qualquer outra barbaridade. Pelo contrário, como presidente da CPI da Pedofilia, informei para o Papa que homossexualismo não tinha elação com pedofilia, defendi os religiosos acusados incorretamente de pedofilia. Na verdade, colocaram muitas mentiras como ditas pela minha boca. Mas jamais demonstrei qualquer agressão moral ou preconceituosa aos homossexuais, que me agridem de diversas formas, colocando-me como inimigo número 1. Este é um preconceito, mas tenho consciência de que sou respeitador, mesmo não tendo o mesmo pensamento de quem é homossexual por livre e espontânea vontade.
O Grupo Gay da Bahia – um das organizações mais atuantes na defesa dos direitos humanos para os homossexuais – já incluiu seu nome no famoso troféu Pau de Sebo, destinado aos “inimigos” deste segmento. O senhor se considera amigo ou inimigo dos gays?
É este preconceito que estou me referindo. Quem não pensa igual a um homossexual é estigmatizado pela classe. Mas vivo em paz com minha consciência e por isso respondo com tranqüilidade estas perguntas. Não sou inimigo dos homossexuais.

Homem invade igreja no EUA durante oração, atira em pastores e é contido por fiéis em pleno culto


As autoridades disseram que Jeremiah Fogle, de 57 anos, abriu fogo contra a Igreja “Faith Christian Center Church “, no domingo após atirar e matar sua esposa, Theresa Fogle, em sua casa.
 No momento em que uma congregação em Lakeland, na Flórida, inclinaram suas cabeças para orar, um homem entrou correndo e disparou em dois pastores. Os membros da Igreja abordou o suspeito, pegaram a sua arma e o imobilizou até que a chegada da polícia.
 Fogle foi acusado de homicídio e tentativa de homicídio. Em uma audiência na segunda-feira ele foi condenado a estar detido sem fiança, segundo a agência Associated Press.
 Fogle foi acusado em 1986 em matar a tiros sua esposa anterior, Diane Fogle, depois que a polícia o encontrou segurando um rifle enquanto ela estava coberta de sangue em um cobertor no chão de seu quarto, segundo a agência Orlando Sentinel.
 Ele estava em liberdade condicional á 10 anos depois de entrar em um acordo judicial.
 Derrick Foster, um professor da Greater Faith, disse à AP que ouviu tiros e gritos e abordou Fogle juntamente com outro homem.
 “A primeira coisa veio em minha mente era: ‘Tenho que tomar este arma’, disse Foster. “Ele estava segurando firmemente a arma. Meu plano era, assim que ele cair no chão faria que ele soltasse-a. Mas ele não caiu. ”
 Foster disse que levou de três a quatro minutos de luta antes que ele pudesse finalmente obter a arma.
 O atirador tinha seis rodadas no bolso. “Ele estava preparado para disparar ainda mais,” disse o xerife Grady Judd
 As autoridades disseram que o pastor William Boss e pastor auxiliar Carl Stewart foram baleados por trás. Boss foi baleado na cabeça e Stewart foi baleado três vezes nas costas e no ouvido.
 True Crime Report informou que Stewart sofreu um colapso pulmonar e Boss está em tratamento intensivo. Ambos permaneceram internados nesta segunda-feira.

VEREADORES DE SÃO LUÍS TENTAM BARRAR TÍTULO DE CIDADÃO HONORÁRIO A SILAS MALAFAIA


Uma proposta de concessão de título de cidadão honorário de São Luís, capital do Maranhão, para o pastor Silas Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus – Vitória em Cristo, gerou uma crise na Câmara de Vereadores de São Luís. Pela primeira vez na atual legislativa, vereadores suspenderam a sessão de votação de uma proposta de concessão de título afirmando que o pastor é homofóbico.
 A proposta partiu da vereadora Rose Sales (PC do B), integrante da bancada evangélica da Câmara de Vereadores de São Luís. A vereadora justificou a concessão do título pelos “vários serviços prestados em favor da família maranhense”, segundo ela.
 A matéria constava na sessão de terça-feira desta semana, mas o vereador Ivaldo Rodrigues, líder do PDT na Câmara, pediu vistas do processo por um período de 72 horas. A intenção é que a proposta volte a plenário na semana que vem.
 Ivaldo Rodrigues afirmou que Silas Malafaia não poderia receber o título por diversas ações contra a comunidade GLBT em todo o Brasil.
 “Ele é homofóbico e São Luís não pode conceder um título a uma pessoa que discrimina outras pessoas”, criticou o vereador. Rodrigues afirmou nesta quinta-feira ao iG que “não medirá esforços para que o requerimento não seja aprovado”. Comunidades e representantes da Comunidade GLBT também se manifestaram contra o título de cidadão ludovicense ao pastor evangélico.
 Rose Sales defendeu Malafaia e disse que o pastor não é homofóbico. Outros vereadores, como João Batista Matos (PPS), também defendem o título a Malafaia. “Ele é um defensor da família. E ama a todos todos”, afirmou o vereador.
 Durante a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu a favor da união homoafetiva, Malafaia fez campanha contra. Em junho, durante a Marcha para Jesus, em São Paulo,  ele disse: “O STF rasgou a Constituição que, no artigo 226, parágrafo 3º, diz claramente que união estável é entre um homem do gênero masculino e uma mulher do gênero feminino. União homossexual uma vírgula”, disse o pastor. “Ninguém aqui vai pagar de otário, de crente, não. Se for contra a família não vai ter o nosso voto”, ameaçou.
 Institucionalmente, a bancada contrária à concessão do título pretende utilizar uma brecha na resolução da Câmara para negar o título ao pastor. Conforme a resolução 027/2005, de 23 de dezembro de 2005, um dos pré-requisitos para que um homenageado receba a honraria é ter residido em São Luís por um período de cinco anos. Em 2009, porém, a Câmara de Vereadores de São Luís concedeu o título de cidadão ludovicense ao presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Ele nunca morou em São Luís. A proposição, na época, foi do vereador Ivaldo Rodrigues.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Discurso de Dilma na Assembleia da ONU

Veja íntegra do discurso de Dilma Rousseff na ONU

A presidente da República, Dilma Rousseff, abriu na manhã desta quarta-feira a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), sendo a primeira mulher a receber a honraria desde a criação do órgão. Leia a íntegra do discurso de Dilma:
Senhor presidente da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz Al-Nasser,
Senhor secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon,
Senhoras e senhores chefes de Estado e de Governo,
Senhoras e senhores,

Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo.
É com humildade pessoal, mas com justificado orgulho de mulher, que vivo este momento histórico.
Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste planeta, que, como eu, nasceram mulher, e que, com tenacidade, estão ocupando o lugar que merecem no mundo. Tenho certeza, senhoras e senhores, de que este será o século das mulheres.
Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje.
Senhor Presidente,
O mundo vive um momento extremamente delicado e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade histórica. Enfrentamos uma crise econômica que, se não debelada, pode se transformar em uma grave ruptura política e social. Uma ruptura sem precedentes, capaz de provocar sérios desequilíbrios na convivência entre as pessoas e as nações.
Mais que nunca, o destino do mundo está nas mãos de todos os seus governantes, sem exceção. Ou nos unimos todos e saímos, juntos, vencedores ou sairemos todos derrotados.
Agora, menos importante é saber quais foram os causadores da situação que enfrentamos, até porque isto já está suficientemente claro. Importa, sim, encontrarmos soluções coletivas, rápidas e verdadeiras.
Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países. Seus governos e bancos centrais continuam com a responsabilidade maior na condução do processo, mas como todos os países sofrem as consequências da crise, todos têm o direito de participar das soluções.
Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É, permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e algumas vezes, de clareza de ideias.
Uma parte do mundo não encontrou ainda o equilíbrio entre ajustes fiscais apropriados e estímulos fiscais corretos e precisos para a demanda e o crescimento. Ficam presos na armadilha que não separa interesses partidários daqueles interesses legítimos da sociedade.
O desafio colocado pela crise é substituir teorias defasadas, de um mundo velho, por novas formulações para um mundo novo. Enquanto muitos governos se encolhem, a face mais amarga da crise - a do desemprego - se amplia. Já temos 205 milhões de desempregados no mundo. 44 milhões na Europa. 14 milhões nos Estados Unidos. É vital combater essa praga e impedir que se alastre para outras regiões do planeta.
Nós, mulheres, sabemos, mais que ninguém, que o desemprego não é apenas uma estatística. Golpeia as famílias, nossos filhos e nossos maridos. Tira a esperança e deixa a violência e a dor.
Senhor Presidente,
É significativo que seja a presidenta de um país emergente, um país que vive praticamente um ambiente de pleno emprego, que venha falar, aqui, hoje, com cores tão vívidas, dessa tragédia que assola, em especial, os países desenvolvidos.
Como outros países emergentes, o Brasil tem sido, até agora, menos afetado pela crise mundial. Mas sabemos que nossa capacidade de resistência não é ilimitada. Queremos - e podemos - ajudar, enquanto há tempo, os países onde a crise já é aguda.
Um novo tipo de cooperação, entre países emergentes e países desenvolvidos, é a oportunidade histórica para redefinir, de forma solidária e responsável, os compromissos que regem as relações internacionais.
O mundo se defronta com uma crise que é ao mesmo tempo econômica, de governança e de coordenação política.
Não haverá a retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificarem os esforços de coordenação entre os países integrantes da ONU e as demais instituições multilaterais, como o G-20, o Fundo Monetário, o Banco Mundial e outros organismos. A ONU e essas organizações precisam emitir, com a máxima urgência, sinais claros de coesão política e de coordenação macroeconômica.
As políticas fiscais e monetárias, por exemplo, devem ser objeto de avaliação mútua, de forma a impedir efeitos indesejáveis sobre os outros países, evitando reações defensivas que, por sua vez, levam a um círculo vicioso.
Já a solução do problema da dívida deve ser combinada com o crescimento econômico. Há sinais evidentes de que várias economias avançadas se encontram no limiar da recessão, o que dificultará, sobremaneira, a resolução dos problemas fiscais.
Está claro que a prioridade da economia mundial, neste momento, deve ser solucionar o problema dos países em crise de dívida soberana e reverter o presente quadro recessivo. Os países mais desenvolvidos precisam praticar políticas coordenadas de estímulo às economias extremamente debilitadas pela crise. Os países emergentes podem ajudar.
Países altamente superavitários devem estimular seus mercados internos e, quando for o caso, flexibilizar suas políticas cambiais, de maneira a cooperar para o reequilíbrio da demanda global.
Urge aprofundar a regulamentação do sistema financeiro e controlar essa fonte inesgotável de instabilidade. É preciso impor controles à guerra cambial, com a adoção de regimes de câmbio flutuante. Trata-se, senhoras e senhores, de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas como pelo artifício do câmbio fixo.
A reforma das instituições financeiras multilaterais deve, sem sombra de dúvida, prosseguir, aumentando a participação dos países emergentes, principais responsáveis pelo crescimento da economia mundial.
O protecionismo e todas as formas de manipulação comercial devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade de maneira espúria e fraudulenta.
Senhor Presidente,
O Brasil está fazendo a sua parte. Com sacrifício, mas com discernimento, mantemos os gastos do governo sob rigoroso controle, a ponto de gerar vultoso superávit nas contas públicas, sem que isso comprometa o êxito das políticas sociais, nem nosso ritmo de investimento e de crescimento.
Estamos tomando precauções adicionais para reforçar nossa capacidade de resistência à crise, fortalecendo nosso mercado interno com políticas de distribuição de renda e inovação tecnológica.
Há pelo menos três anos, senhor Presidente, o Brasil repete, nesta mesma tribuna, que é preciso combater as causas, e não só as consequências da instabilidade global.
Temos insistido na inter-relação entre desenvolvimento, paz e segurança; e que as políticas de desenvolvimento sejam, cada vez mais, associadas às estratégias do Conselho de Segurança na busca por uma paz sustentável.
É assim que agimos em nosso compromisso com o Haiti e com a Guiné-Bissau. Na liderança da Minustah, temos promovido, desde 2004, no Haiti, projetos humanitários, que integram segurança e desenvolvimento. Com profundo respeito à soberania haitiana, o Brasil tem o orgulho de cooperar para a consolidação da democracia naquele país.
Estamos aptos a prestar também uma contribuição solidária, aos países irmãos do mundo em desenvolvimento, em matéria de segurança alimentar, tecnologia agrícola, geração de energia limpa e renovável e no combate à pobreza e à fome.
Senhor Presidente,
Desde o final de 2010, assistimos a uma sucessão de manifestações populares que se convencionou denominar "Primavera Árabe". O Brasil é pátria de adoção de muitos imigrantes daquela parte do mundo. Os brasileiros se solidarizam com a busca de um ideal que não pertence a nenhuma cultura, porque é universal: a liberdade.
É preciso que as nações aqui reunidas encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos a condução do processo.
Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas.
Apoiamos o Secretário-Geral no seu esforço de engajar as Nações Unidas na prevenção de conflitos, por meio do exercício incansável da democracia e da promoção do desenvolvimento.
O mundo sofre, hoje, as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia, inaugurando novos ciclos de violência, multiplicando os números de vítimas civis.
Muito se fala sobre a responsabilidade de proteger; pouco se fala sobre a responsabilidade ao proteger. São conceitos que precisamos amadurecer juntos. Para isso, a atuação do Conselho de Segurança é essencial, e ela será tão mais acertada quanto mais legítimas forem suas decisões. E a legitimidade do próprio Conselho depende, cada dia mais, de sua reforma.
Senhor Presidente,
A cada ano que passa, mais urgente se faz uma solução para a falta de representatividade do Conselho de Segurança, o que corrói sua eficácia. O ex-presidente Joseph Deiss recordou-me um fato impressionante: o debate em torno da reforma do Conselho já entra em seu 18º ano. Não é possível, senhor Presidente, protelar mais.
O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea; um Conselho que incorpore novos membros permanentes e não-permanentes, em especial representantes dos países em desenvolvimento.
O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho. Vivemos em paz com nossos vizinhos há mais de 140 anos. Temos promovido com eles bem-sucedidos processos de integração e de cooperação. Abdicamos, por compromisso constitucional, do uso da energia nuclear para fins que não sejam pacíficos. Tenho orgulho de dizer que o Brasil é um vetor de paz, estabilidade e prosperidade em sua região, e até mesmo fora dela.
No Conselho de Direitos Humanos, atuamos inspirados por nossa própria história de superação. Queremos para os outros países o que queremos para nós mesmos.
O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram.
Senhor Presidente,
Quero estender ao Sudão do Sul as boas vindas à nossa família de nações. O Brasil está pronto a cooperar com o mais jovem membro das Nações Unidas e contribuir para seu desenvolvimento soberano.
Mas lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nesta Assembleia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título.
O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional.
Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia - como deve ser.
Senhor Presidente,
O Brasil defende um acordo global, abrangente e ambicioso para combater a mudança do clima no marco das Nações Unidas. Para tanto, é preciso que os países assumam as responsabilidades que lhes cabem.
Apresentamos uma proposta concreta, voluntária e significativa de redução (de emissões), durante a Cúpula de Copenhague, em 2009. Esperamos poder avançar já na reunião de Durban, apoiando os países em desenvolvimento nos seus esforços de redução de emissões e garantindo que os países desenvolvidos cumprirão suas obrigações, com novas metas no Protocolo de Quioto, para além de 2012.
Teremos a honra de sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho do ano que vem. Juntamente com o Secretário-Geral Ban Ki-moon, reitero aqui o convite para que todos os Chefes de Estado e de Governo compareçam.
Senhor Presidente e minhas companheiras mulheres de todo mundo,
O Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. E que uma verdadeira política de direitos humanos tem por base a diminuição da desigualdade e da discriminação entre as pessoas, entre as regiões e entre os gêneros.
O Brasil avançou política, econômica e socialmente sem comprometer sequer uma das liberdades democráticas. Cumprimos quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, antes de 2015. Saíram da pobreza e ascenderam para a classe média no meu país quase 40 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de, até o final do meu governo, erradicar a pobreza extrema no Brasil.
No meu país, a mulher tem sido fundamental na superação das desigualdades sociais. Nossos programas de distribuição de renda têm nas mães a figura central. São elas que cuidam dos recursos que permitem às famílias investir na saúde e na educação de seus filhos.
Mas o meu país, como todos os países do mundo, ainda precisa fazer muito mais pela valorização e afirmação da mulher. Ao falar disso, cumprimento o secretário-geral Ban Ki-moon pela prioridade que tem conferido às mulheres em sua gestão à frente das Nações Unidas.
Saúdo, em especial, a criação da ONU Mulher e sua diretora-executiva, Michelle Bachelet.
Senhor Presidente,
Além do meu querido Brasil, sinto-me, aqui, representando todas as mulheres do mundo. As mulheres anônimas, aquelas que passam fome e não podem dar de comer aos seus filhos; aquelas que padecem de doenças e não podem se tratar; aquelas que sofrem violência e são discriminadas no emprego, na sociedade e na vida familiar; aquelas cujo trabalho no lar cria as gerações futuras.
Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da vida política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje.
Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade.
E é com a esperança de que estes valores continuem inspirando o trabalho desta Casa das Nações que tenho a honra de iniciar o Debate Geral da 66ª Assembleia Geral da ONU.
Muito obrigada.